segunda-feira, 19 de agosto de 2013

CHARUTOS CUBANOS

Prensa Latina
Adital

A comercialização de charutos habanos no mercado internacional cresceu 2% em unidades durante o primeiro semestre deste ano, disse hoje o vice-presidente comercial da corporação Habanos S.A., Jorge Luís Fernández Maique.
O executivo acrescentou que além desta alta registra aumentos de 3% sobre os valores das vendas do tabaco cubano tipo Premium, o feito a mão, considerado o melhor do mundo pela tripla condição do solo, clima e experiência dos produtores.
Disse o informante que durante o período assinalado foram registrados incrementos referentes aos mercados tradicionais deste produto, como é o caso de Suíça, França, Alemanha e Reino Unido, com decréscimo para Espanha.
Significou que também se mostra alta na Ásia, Rússia com aumentos significativos, e no Oriente Médio. Registrou o especialista para Portugal e Grécia baixas nas cifras de vendas, enquanto o mercado local mostra estabilidade.
O vice-titular destacou que apesar das cruéis leis antitabaco vigentes na Europa, um dos principais mercados dos habanos, esperam finalizar 2013 com uma tendência crescente nestas vendas.
Fernández Maique explicou que quanto às etiquetas da galeria dos cigarros, o Robusto ocupa na atualidade o primeiro posto das vendas em nível mundial, seguido da Mareya, e, em matéria de denominações comerciais, o primeiro escalão está na Série D Nº4 de Partagás.
A corporação internacional Habanos S.A. vende nestes momentos em mais de 150 países, menos nos Estados Unidos devido às barreiras comerciais de Washington contra Havana desde os anos 60 do século passado.
Esta companhia acumula 80% do mercado global dos cigarros Premium, sempre sem contar Estados Unidos, e distribui 27 marcas nos cinco continentes, com destaque para Cohíba, Montecristo, Romeo e Julieta, Partagás, Hoyo de Monterrey, H.Upmann e Punch, concluiu Fernández Maique.
A cada ano a empresa organiza o Festival de Habano (fevereiro-março) nesta capital, ao que atendem mais de mil pessoas de cerca de 70 países, sendo o momento propício de apresentar novos produtos e realizar intercâmbios entre profissionais do setor.
A notícia é da Prensa Latina/acl/rfc

CONFLITO NICARAGUA - COSTA RICA

Adital
Novo conflito entre as fronteiras agrava as relações diplomáticas entre os países chefiados por Daniel Ortega e Laura Chinchilla, que já trocaram insultos públicos em algumas ocasiões. A Nicarágua reivindica a posse de 10 mil quilômetros quadrados da província costarriquenha de Guanacaste, uma área de conhecido como destino turístico e praias que atraem milhares de pessoas todos os anos.
Este é uma contra ofensiva, ou mais um episódio da novela de desentendimentos entre os dois países, uma vez que Manágua aguarda o julgamento de processo na Corte Internacional de Justiça (CIJ) onde é acusada de invadir a costa caribenha do país vizinho e por um possível dano ambiental durante a construção de uma rodovia na fronteira. Por conta deste primeiro processo, em 2010, a presidente costarriquenha chegou a chamar o seu colega de inimigo. Os dois governos esperam os veredictos e se acusam mutuamente de descumprimento das medidas preventivas.
Chinchilla considerou a intenção de Ortega reivindicar a posse de Guanacaste uma ofensa ao seu país e responde às investidas do seu vizinho do norte denunciando a intenção à Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Esta é a segunda vez que a mandatária reage com firmeza a conflito de fronteira. Em outubro de 2010, reagiu com firmeza à presença de militares nicaraguenses em Calero, em San José. 

Agora Ortega garante publicamente que, a partir de pesquisas históricas, antes do ano 1821, quando a Costa Rica anexou a maior parte deste território, o território era chamado de Nicoya e pertencia ao seu país. Este anúncio, reascendeu as disputas entre os dois países.
Laura Chinchilla solicita às instituições internacionais que a Costa Rica precisa ter um exército forte para conter o "caráter expansionista” da Nicarágua. Ela fala que estas "pretensões absurdas” do país vizinho vão incidir sobre uma província de 300 mil habitantes, onde existe um forte setor turístico e potencial energético, além de um mar patrimonial e zona de marinas com riquezas petrolíferas.
Daniel Ortega, por sua vez, afirma que os interesses do seu país são legítimos e a Costa Rica está atuando como um aliado da Colômbia, outro rival do a Costa Rica ganhou em 2012 um processo na Corte de Haya, e foi ressarcida em espécie. Na verdade, o discurso do nicaragüense que desencadeou novo conflito, está sendo refeito e não foi dada a certeza de um novo processo em Haya e está sem confirmação. Esta semana, porém, Bayardo Arce, um dos assessores próximos ao presidente da Nicarágua, chegou a desmentir que haveria uma reivindicação formal por Guanacaste como foi entendido pelo país vizinho, mas alusões hipotéticas do presidente. Para Arce, Chinchilla está "buscando oxigênio” para melhorar sua popularidade faltando oito meses para as eleições.
Com informações Instituto PRISMA

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

EGITO

Massacre no Egito: Repressão matou 525 e feriu mas de 3 mil


O governo do Egito confirmou nesta quinta-feira (15) a morte de 525 pessoas pela atuação das forças de repressão nas operações da quarta-feira contra os seguidores do deposto presidente Mohamed Mursi.


Apesar desse balanço, a Irmandade Muçulmana (IM) anunciou que o número de mortos ultrapassa 4,5 mil.

O Ministério de Saúde informou que 525 pessoas foram mortas, dentre elas 43 integrantes das forças de segurança e que 3.717 cidadãos sofreram ferimentos na repressão de quarta-feira contra os acampamentos de estabelecidos desde 3 de julho em vários lugares desta capital.

Mohamed Fathalá, porta-voz do Ministério, indicou que o maior número de mortes, 202, aconteceu na praça central de Rabea Adauiya.

Na Praça Nahda, também ocupada há mais de um mês por simpatizantes do deposto presidente Mursi, morreu mais de uma centena e outra cifra similar também perdeu a vida em diversas partes do país, segundo o Serviço Estatal de Informação.

A Irmandade considerou que os relatórios sobre as violências estão subestimendo de propósito os acontecimentos. As estimativas da organização apontam mais de 4. 500 mortos e mais de 10 mil feridos.

Gehad Haddad, porta-voz da Irmandade Muçulmana, ao revelar os dados, disse que o total pode ser muito maior. "A contagem e a identificação ainda continuam em três mesquitas, três hospitais e dois necrotérios", informou Haddad através da rede social Twitter, e expressou sua condenação à violência da força pública em relação a onda de distúrbios.

Conforme o porta-voz da Irmandade Muçulmana, "a maioria das vítimas faleceu no Cairo, enquanto mais de mil pessoas perderam a vida em confrontos em outras cidades do país".

A tensão explodiu na quarta ao amanhecer, quando militares das forças armadas começaram a retirar milhares de pessoas das praças de Rabaa Adauiya e Nahda, depois de vários confrontos entre seguidores e opositores ao deposto presidente Mohamed Mursi.

Fonte: Prensa Latina

HOMENS SABEM PENSAR

bertoldbrecht
Bertold Brecht, dramaturgo e poeta marxista.
Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis
Neste 14 de agosto, data da morte do maior dramaturgo do Século XX, publicamos este registro-homenagem da Diálogos do Sul à Bertold Brecht cuja obra ainda é referência para todos aqueles que acreditam que um mundo melhor é não apenas possível, mas necessário.
Anibal Montoya*
Os casos de Edward Snowden, ex-conselheiro da CIA que revelou a agência de espionagem maciça na internet, do soldado Manning Yankee, que vazou milhares de relatórios secretos do governo dos EUA, e de Julien Assange, fundador do Wikileaks, trazem à mente um poema de Bertolt Brecht.
O Vosso tanque General, é um carro forte
tanquesDerruba uma floresta esmaga cem homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista
O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.
O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar
É incrível como, apesar de toda a máquina repressiva, do desenvolvimento tecnológico mais sofisticado nas mãos dos governos mais reacionários do planeta, de seus sistemas de segurança avançados, do seus poderosos aparatos estatais com isca de centenas de bilhões de dólares, de seus exércitos de agentes secretos, de policiais e de criminosos de todos os tipos aos seus serviços, basta a vontade de um único indivíduo de média e baixa fileiras, perdido e esquecido em um canto escuro de um escritório ou num quartel do exército, para revelar ao mundo todo o esgoto dos esgotos de poder que se esforça para se manter secreto, como um avarento ganancioso que guarda tesouros escondidos.
Assange
Julian Assange
É preciso um grau de extraordinária coragem para fazer o que fizeram estes três indivíduos, e isso deve ser dito. Mas isso não pode explicar tudo. Para superar o medo das consequências de suas ações, também é preciso desenvolver um senso de profundo desprezo para o venenoso meio ao seu redor, e um enorme desejo de servir a humanidade para denunciar toda a imundícia do poder arbitrário de que foram testemunhas e participantes. A idéia dialética que das águas sujas pode fluir também água limpa, o velho do novo.
Eles são pessoas como todos nós e suas ações devem nos reconciliar com nossa humanidade e fortalecer nossa confiança na humanidade e seus mais altos padrões.
Se dezenas de milhões vão às ruas em todo o mundo, se o sentimento de revolta parece cada vez mais espalhado por todo o planeta em desafio aberto ao sistema existente, e se, até mesmo dentro da máquina de poder surgem aliados inesperados, quem pode duvidar que o medo começa a mudar de lado e que a vitória parece cada vez mais provável?
* Anibal Montoya (Argentina) 

GMAIL E SUA PRIVACIDADE...

Google diz que usuário do Gmail não deveria ter "expectativas razoáveis" de privacidade

Opera Mundi 
Gigante da internet afirmou que compilação automática de emails é procedimento comum na troca de mensagens

Usuários do serviço de emails do Google, o Gmail, não têm privacidade completa.  Em uma documentação judicial de 30 páginas, o Google reconheceu que os usuários do Gmail não deveriam ter "expectativas razoáveis" que suas comunicações sejam confidenciais.

O texto foi apresentado na última terça-feira (13/08) pelos advogados da empresa nos tribunais de San José, no norte da Califórnia (EUA). A informação repercutiu nesta quarta-feira (14/08) na imprensa dos EUA, país no qual o Google enfrenta um processo coletivo por espionar os internautas. "O Google abre, lê e adquire ilegalmente conteúdo privado dos e-mails das pessoas", dizia a denúncia datada em maio.

O gigante informático, por sua vez, considera que esta batalha legal não tem fundamento e defende que suas práticas se ajustam às leis vigentes, ressaltando que os litigantes se esforçaram para lançar uma "luz sinistra" sobre a companhia. A companhia manifesta que a compilação automática (não humano) de "emails" é o procedimento comum na troca de mensagens através do Gmail, uma informação que serve para aperfeiçoar a publicidade direcionada ao usuário e que, inclusive, consta nos termos e condições de seu serviço.

Além disso, o Google insistiu que as leis federais sobre escutas eximem de responsabilidade às empresas dedicadas às comunicações eletrônicas caso os usuários aceitem essa "interceptação" das mensagens, algo que é obrigatório para todos aqueles que abrem uma conta no Gmail. A companhia argumentou igualmente que os litigantes não ofereceram provas que seus emails fossem "comunicações confidenciais", segundo descreve o código penal dos EUA, que exige evidências que confirmem o "desejo" de privacidade das partes.

Para o diretor de Privacy Project da organização Consumer Watchdog, o Google "admitiu finalmente que não respeita a privacidade", ressaltando que, aqueles que querem privacidade, não deve usar o Gmail. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

BIENVENIDOS IRMÃOS DOUTORES !

Médicos cubanos vêm aí


A empresa estatal de aviação de Cuba, a Cubana de Aviación, inaugurou no mês passado um vôo semanal direto ligando a ilha ao Brasil. O objetivo é atrair os turistas nacionais, conhecidos pelo bolso aberto no exterior. Nas próximas semanas, a rota promete ficar intensa. E não será por causa do turismo. O governo brasileiro prepara-se para abrir as portas do país a milhares de médicos cubanos.

Por André Barrocal, na Carta Capital



Os doutores participarão do recém-lançado programa Mais Médicos, com o qual o governo quer atacar a falta de profissionais em cidades pobres e distantes das metrópoles. A primeira etapa de seleção, que priorizava brasileiros, recebeu 18,4 mil inscrições, mas só 4,6 mil se efetivaram (uns 25%). As inscrições que foram descartadas não tinham número correto do registro profissional. O ministério da Saúde desconfia de fraude. As entidades da categoria boicotam o programa.



Uma nova fase de inscrições será iniciada nos próximos dias, e desta vez a mira será apontada a estrangeiros. Antes de lançar o programa, em julho, o Brasil já tinha um entendimento prévio com Cuba. Pelas negociações, poderá haver a cessão de até seis mil médicos cubanos. Em troca, o governo da ilha ficará com uma parte do salário deles. A remuneração prevista no Mais Médicos é de 10 mil reais mensais.

O novo acordo assemelha-se a um selado no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique, quando cubanos vieram trabalhar na Amazônia. “A experiência valeu à pena, eles deixaram saudade. Se voltarem, serão bem-vindos”, diz o deputado petista Sibá Machado, do Acre, um dos estados onde houve a colaboração. “Eles foram levados aos municípios mais distantes para trabalhar com atenção à saúde e ajudaram a implantar o programa saúde da família.”

A medicina cubana é reconhecida mundialmente pela qualidade no atendimento básico, aquele do cotidiano, justamente o foco do Mais Médicos. A Arábia Saudita anunciou na semana passada um acordo parecido com a ilha, por exemplo. A Venezuela também tem um acerto similar, responsável pelo programa social mais bem avaliado do país.


FELIZ CUMPLEÃNOS COMANDANTE !!!



DEZ ANOS SEM ROBERTO MARINHO

Dez anos sem Roberto Marinho

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Então são dez anos sem o Doutor Roberto Marinho, um homem nas próprias palavras “condenado ao êxito”, completados agora em agosto.

Lembremos sua jornada quase centenária sobre esta terra, contritos, e agradeçamos a ele por:

1) conspirar contra um governo democrático e abrir as portas para uma ditadura militar que matou, perseguiu e fez do Brasil um campeão mundial de desigualdade;

2) fazer um pacto com essa ditadura pelo qual em troca de receber uma rede de tevê a apoiaria incondicionalmente;

3) ocupar o Estado brasileiro, de tal forma que sucessivos governos o brindaram com empréstimos multimilionários a juros maternos ou pagáveis, eventualmente, até com anúncios;

4) ocupar também o legislativo nacional, de maneira que quando o Brasil se abriu à concorrência internacional a Globo permaneceu protegida por uma reserva de mercado que contraria o capitalismo de que nosso companheiro tanto falava;

5) criar, na captação de publicidade, uma propina chamada “BV”, pela qual a Globo mantém até hoje acorrentadas as agências de propaganda e com a qual mesmo com audiências cada vez menores a receita da empresa continua a aumentar;

6) levar ao estado da arte o merchandising, com o qual os brasileiros são estimulados subrepticiamente a tomar cerveja em todas as ocasiões em cenas de novela pelas quais os fabricantes de cervejas pagam um dinheiro muito além da propaganda normal;

7) montar uma programação à base de novelas que ao longo do tempo tanto ajudaram a entorpecer a alma e o espírito crítico de tantos brasileiros;

8) abduzir o judiciário nacional com relações promíscuas, com as quais a emissora pôde montar um esquema bilionário de sonegação sem risco de pagar por isso;

9) manter por tantos anos João Havelange e Ricardo Teixeira na CBF por causa das relações especiais, e com isso conseguir coisas como o pior horário de futebol do mundo, ainda hoje mantido por causa da novela;

10) criar uma cultura de jornalismo da qual derivariam, ao longo do tempo, figuras como Amaral Neto, Alberico Souza Cruz, Merval Pereira, Ali Kamel, William Wack e Arnaldo Jabor.

Por tudo isso, e muito mais, como Galvão e Faustão, Huck e Ana Maria Braga, Saia Justa e Manhattan Connection, Proconsult e Diretas Já, BBB e Jô Soares, nós lembramos o legado do companheiro Roberto Marinho e lhe rendemos graças.

DIÁLOGOS DE PAZ


Farc e governo encerram ‘com avanços’ mais um ciclo dos diálogos de paz


Tatiana Félix
Adital

Com "avanços significativos" encerrou-se em Havana (Cuba), no último sábado (10), mais um ciclo dos diálogos de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP) e representantes do governo da Colômbia e de países amigos, que dialogam desde novembro de 2012 para tentar chegar a um acordo de paz e ao fim do conflito armado que já dura cerca de 50 anos no país.Em entrevista coletiva concedida no sábado, a Delegação de Paz das Farc e do governo informou que contou com a contribuição de professores e especialistas para debater sobre Participação Política e Cidadã, o segundo ponto da Agenda de discussões. Segundo o comunicado conjunto, os especialistas lembraram que o conflito colombiano tem causas "estruturais" e que o país apresenta um histórico de muitos anos de violação de direitos cidadãos, e por isso, "a paz deve ser política de Estado para que os eventuais acordos perdurem". "Devemos buscar um modelo inclusivo de democracia, que não acabe com o confronto de ideias, mas que nos tire da guerra", ressaltou, acrescentando ainda que "sem o exercício da oposição política não existe democracia".
Para as Farc, existe na Colômbia um "crescente descrédito da política" fato que os motiva a convocar um acordo voluntário para refundar e reinventar o sistema político, de modo que possa servir à paz, a reconciliação e à todos os cidadãos, em especial "as maiorias ignoradas", possibilitando mudanças estruturais, legislativas e constitucionais no país.
Neste sentido, as Farcs defendem a reestruturação do Estado, através da criação de poder popular, limites de concentração de poder público, reforma política e eleitoral, entre outras propostas que impulsionem a participação política democrática, a paz com justiça social e a reconciliação nacional. A guerrilha também lembra que os temas da verdade histórica e da justiça transicional que tem sido debatido na Corte Constitucional do país já fazem parte do quinto ponto da Agenda de diálogo das Farc e que "devem ser debatidos na mesa em Havana e não em Bogotá".
"Afirmamos que as vítimas são vítimas do conflito, que o Estado é responsável pela ação ou por omissão, o que foi reconhecido recentemente pelo presidente da República, Juan Manuel Santos", enfatizou.
No comunicado conjunto, as delegações ressaltaram ainda a importância de toda a sociedade se vincular às discussões e definições sobre a paz na Colômbia, já que este é um assunto que interessa toda a população, e lembrou que os temas não podem ser tratados de forma unilateral. Os interessados em participar com propostas para a agenda dos diálogos de paz podem dar suas contribuições pelo site https://www.mesadeconversaciones.com.co/. O próximo ciclo de diálogos iniciará no dia 19 de agosto.
As Farc aproveitaram o encerramento vitorioso deste novo ciclo para criticar as declarações do general do Exército Colombiano, Sergio Mantilla, quem afirmou que a guerrilha estaria "desmoralizada”. "Desmoralizadas podem estar as tropas do General Mantilla, pois muitos de seus oficiais experimentados em guerra de guerrilhas estão indo para os Emirados Árabes para se venderem como mercenários. Aqui arriscam sua vida e lhes pagam com migalhas, em troca lá lhes pagam em dólares”, rebateu as Forças Revolucionárias da Colômbia.
Sobre as declarações de autoridades colombianas ao longo dos anos que afirmavam que a guerrilha estaria derrotada em pouco tempo, as Farc lembraram que "as dezenas de generais que enfrentaram [o comandante Manuel Marulanda Vélez] durante 44 anos nunca puderam derrotá-lo”. "Uma guerrilha que resistiu a assimetria em número e tecnologia, a ofensiva contrainsurgente maior que se tem conhecimento na história da América, não pode ser uma guerrilha desmoralizada, senhor General”, conclui, afirmando que as declarações do oficial não contribuem para os esforços pela paz.

VIVA CRISTINA !!

Partido de Cristina Kirchner vence eleições, apesar da redução de votos


Adital
GrammaAs eleições preliminares na Argentina, realizadas neste domingo, 11 de agosto, confirmaram a força do partido Fuerza para La Victoria (FPV), da presidenta Cristina Fernández (antes Cristina Kirchner), que obteve 26% dos votos em âmbito nacional, contra 8,24% da opositora Frente Renovadora e 7,59% da Frente Progressista Cívico e Social, em se tratando dos votos para deputados. Para o Senado, a FPV teve percentual de votos semelhante.
Apesar da ampla vitória, a imprensa aponta o resultado como uma "derrota” do kirchnerismo, por representar os percentuais mais baixos desde 2003. Em Buenos Aires, que concentra cerca de 40% dos eleitores argentinos, o partido da presidenta perdeu para a oposição. Cristina também perdeu em sua Província, Santa Cruz; bem como em Córdoba, Mendoza e Santa Fé. Críticos oposicionistas acusam as eleições de terem sido manipuladas pelos meios de comunicação e de terem um alto índice de abstenção, apesar de o voto ser obrigatório. Há informações oficiais que dão conta de que 60% dos argentinos foram às urnas neste domingo. Em discurso após a divulgação dos resultados, a presidente informou que 80% dos eleitores teriam votado.
As eleições preliminares argentinas servem para que os eleitores decidam quem serão os candidatos ao Senado e à Câmara no pleito de 27 de outubro deste ano, além de ser um sinal da popularidade da presidenta e de como será o apoio ao seu governo nos próximos dois anos. Serão renovados 24 assentos no Senado e 127 na Câmara de Deputados. Nesta última, das vagas a serem renovadas, 49 são da Frente para a Vitória e 78 dos partidos da oposição. Já no Senado, serão 16 vagas do partido governista e oito da oposição dispostas para renovação. Sabe-se que a oposição pretende barrar as reformas progressistas iniciadas por Cristina nos últimos anos.
Próxima dos governos e presidentes bolivarianos da América do Sul, como Nicolás Maduro (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), Cristina Fernández tornou-se alvo preferencial das críticas da oposição e dos grandes conglomerados de comunicação latino-americanos, por causa da Lei dos Meios de Comunicação, discutida por mais de três anos pelos movimentos sociais, aprovada pelo Congresso e sancionada pela Presidenta em 2009. Esta lei limita e controla as licenças concedidas aos meios de comunicação.
A reforma da Justiça também foi bastante criticada. Com esta reforma, o Conselho de Magistratura, que tem a função de designar e destituir juízes, passou a ter seus membros escolhidos por voto popular. Em junho deste ano, a Suprema Corte declarou a reforma inconstitucional. Matérias publicadas na imprensa, em especial pelo grupo Clarín, acusam os seguidores dos Kirchner de estarem preparando um projeto que permita a Cristina concorrer a um terceiro mandato. O governo de Cristina é ainda acusado de corrupção e de ser o maior responsável pela turbulência econômica do país.
Em pronunciamento no domingo à noite, a presidente minimizou os percentuais mais baixos e prometeu um melhor desempenho nas eleições de 27 de outubro. Segundo informações da Telesur, a mandatária felicitou os argentinos pelo "altíssimo” nível de participação nas eleições preliminares. Ela afirmou também que é preciso redobrar os esforços e a militância frente aos movimentos de oposição, e que a responsabilidade pelas ações no país não é apenas sua, mas dos 40 milhões de argentinos, "que devem ser responsáveis pelo que pensam e pelo que dizem”. "deben ser responsables de lo que piensan, lo que dicen y hacerse cargo de todo”. A presidenta disse ainda que não vai prometer nada até outubro, pois sabe que não vai pode cumprir em apenas dois meses.

sábado, 10 de agosto de 2013

CAPITALISMO EXIGE O SANGUE DAS CRIANÇAS HAITIANAS

Invasão das empresas de mineração preocupa haitianos
 
 
 


Adital
HGW/Lafontaine OrvildOrganizações da sociedade civil haitiana se mobilizam contra projeto de lei que o governo está elaborando para atrair investimentos no setor de mineração. As denúncias são de que negociações com as empresas acontecem a portas fechadas, o que deixa os cidadãos preocupados com o saque sistemático dos recursos naturais. Um terço do norte do Haiti já é alvo de pesquisas e explorações por parte de empresas estrangeiras, a exemplo da jazida de Grand Bois, onde os trabalhadores também estão mobilizados (foto).
Em julho deste ano, cerca de 200 agricultores de Grand Bois, no departamento Norte, se reuniram para discutir o futuro das operações de mineração no local. "Quando alguém fala sobre mineração, nossa história nos faz pensar na escravidão, na ocupação de nossas terras”, disse Willy Pierre, professor de ciências sociais em uma escola próxima. "Poderemos perder nossos campos férteis. Nos expulsarão de nossa terra. Porque teremos que partir?”, indagou.
A jazida de Grand Bois é rica em ouro e cobre. A companhia canadense Eurasian Mierals detén a concessão de exploração por meio de sua subsidiária haitiana, a Societé Minière Citadelle S.A.
A agência de mineração do governo disse à organização não governamental Haiti Grassroots Watch (HGW) que seu objetivo é deixar o país mais atrativo para potenciais investidores internacionais. Ludner Remarais, diretor da Agência de Energia e Mineração do Haiti, afirmou que o país precisa de uma lei mais atrativa, que "seduza os investidores”, pois a atual estaria obsoleta.
Em fevereiro deste ano, uma pesquisa mostrou que 15% do território haitiano já se encontrava licitado, por isso o Senado decidiu aprovar uma resolução que ordena a suspensão de todas atividades de exploração para que possa haver um debate nacional sobre esses contratos. Ramerais confirma que o governo está respeitando a decisão, mas acrescenta que resolução na vale para os direitos já concedidos.
Com o aumento do preço do outro e de outros minérios no mercado internacional, há cerca de cinco anos, o Haiti começou a viver o que chama de "febre do ouro”. Há estimativas de que a riqueza mineral no país, principalmente em ouro, prata e cobre, chega a 20 bilhões de dólares. Cerca de 2,4 mil quilómetros quadrados de terras já foram destinados a companhias haitianas que representam os intereses dos Estados Unidos e do Canadá.
As organizações de camponeses e grupos defensores dos direitos humanos, da soberania alimentar do meio ambiente denunciam os possíveis efeitos da indústria de mineração sobre a qualidade da água e da terra. Esses grupos formaram o Colectivo contra la Minería.
Com informações da Agência IPS.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

AMERICANOS TERRORISTAS ASSASSINOS - HIROSHIMA 68 ANOS

japanhiroshimaapA cidade de Hiroshima lembrou nesta terça-feira (data local) o 68º aniversário do lançamento da bomba atômica que provocou a morte de centenas de milhares de seus cidadãos no final da Segunda Guerra Mundial, com uma cerimônia na qual pediu o fim da proliferação nuclear.
Durante o memorial, realizado no Parque da Paz da cidade japonesa, foi prestado um minuto de silêncio às 23h15 GMT (20h15 de Brasília). Nessa mesma hora, o avião B-29 Enola Gay das Forças Aéreas dos EUA lançou em 6 agosto de 1945 o que seria o primeiro ataque nuclear da história.
Calcula-se que a bomba, que foi detonada com uma intensidade de 16 quilotons a cerca de 600 metros de altura, muito perto de onde hoje fica o Parque da Paz, matou de forma imediata 80.000 pessoas.
No entanto, no final de 1945, o número de mortos já tinha subido para cerca de 140.000, e o de vítimas pela radiação nos anos posteriores aumentou muito mais.
bombaO primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, participou da cerimônia de hoje, e em seu discurso pediu o fim das armas nucleares. Também discursou o prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, filho de um dos milhares de sobreviventes da bomba. Ele clamou por uma Coreia do Norte e um “nordeste da Ásia” livre de armas nucleares e lembrou que o Japão ainda sofre, mais de dois anos depois, com os efeitos do acidente na usina nuclear de Fukushima.
A cerimônia deste ano reuniu representantes de 70 países. Após o ataque sobre Hiroshima, os EUA lançaram uma segunda bomba nuclear em 9 de agosto de 1945 sobre a cidade de Nagasaki, o que forçou a rendição do Japão seis dias depois e pôs fim à Segunda Guerra Mundial. Os ataques nucleares sobre as duas cidades japonesas foram os únicos que realizados até hoje.
SAIBA +
0014_ hiroshima_nagasaki_05Os Bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki foram ataques nucleares ocorridos no final da Segunda Guerra Mundial contra o Império do Japão realizados pela Força Aérea dos Estados Unidos da América na ordem do presidente americano Harry S. Truman nos dias 6 de agosto e 9 de agosto de 1945.1 Após seis meses de intenso bombardeio em 67 outras cidades japonesas, a bomba atômica ”Little Boy” caiu sobre Hiroshima numa segunda-feira.2 Três dias depois, no dia 9, a “Fat Man” caiu sobre Nagasaki. Historicamente, estes são até agora os únicos ataques onde se utilizaram armas nucleares.3 As estimativas do primeiro massacre por armas de destruição maciça sobre uma população civil apontam para um número total de mortos a variar entre 140 mil em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki,4 sendo algumas estimativas consideravelmente mais elevadas quando são contabilizadas as mortes posteriores devido à exposição à radiação.5 A maioria dos mortos era civil.6 7 8
As explosões nucleares, a destruição das duas cidades e as centenas de milhares de mortos em poucos segundos levaram o Império do Japão à rendição incondicional em 15 de agosto de 1945, com a subsequente assinatura oficial do armistício em 2 de setembro na baía de Tóquio e o fim da II Guerra Mundial.
O papel dos bombardeios atômicos na rendição do Japão, assim como seus efeitos e justificações, foram submetidos a muito debate. Nos EUA, o ponto de vista que prevalece é que os bombardeios terminaram a guerra meses mais cedo do que haveria acontecido, salvando muitas vidas que seriam perdidas em ambos os lados se a invasão planejada do Japão tivesse ocorrido. No Japão, o público geral tende a crer que os bombardeios foram desnecessários, uma vez que a preparação para a rendição já estava em progresso em Tóquio.

GENIAIS - KUSTURICA & MUJICA

Emir Kusturica filmará documentário sobre José Mujica

Produção não terá dinheiro público e expectativa é que seja exibido após a eleição presidencial de 2014
 
 

O renomado diretor de cinema e músico sérvio Emir Kusturica gravará um documentário cinematográfico sobre a vida do presidente do Uruguai, José Mujica, um ex-guerrilheiro tupamaro de 78 anos. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (08/08) por fontes oficiais uruguaias.

Segundo o Ministério de Transporte e Obras Públicas do Uruguai, que casualmente administrou o acordo, o projeto se chamará "O presidente do povo" e terá um orçamento de 3 milhões de dólares.

O acordo com o cineasta foi fechado na semana passada na Bélgica, onde Kusturica se reuniu com assessores do ministro uruguaio dessa pasta, Enrique Pintado. Eles conheciam o interesse do diretor pela figura de Mujica, embora as gestões tenham começado há nove meses por iniciativa do próprio cineasta.

O projeto não usará imagens de ficção, mas utilizará imagens de arquivo e diversas reuniões entre o diretor e o presidente do Uruguai. Elas acontecerão a partir de dezembro.
 
O filme não receberá patrocínio do Estado uruguaio, pois será financiado por patrocinadores privados brasileiros, uruguaios e argentinos.

Por outro lado, a revista uruguaia "Búsqueda" publicou nesta quinta-feira que a produtora argentina K&S Films também trabalhará no projeto e já se encontraria recopilando informação de arquivo para Kusturica.

O lançamento do documentário é esperado para dezembro de 2014, quando já se conhecerá o sucessor de Mujica à frente da Presidência uruguaia, já que a eleição presidencial se realizará um mês antes.

José "Pepe" Mujica, líder da governista e esquerdista Frente Ampla, é conhecido por seu estilo de vida austero, o que levou a que alguns veículos internacionais se referissem a ele como o presidente "mais pobre do mundo".

Mujica, que passou vários anos na prisão por atuar na luta armada, a maioria durante a ditadura (1973-1985), vive atualmente em uma humilde chácara perto de Montevidéu com sua esposa, a senadora Lucía Topolansky.

O governante doa cerca de 90% de seu salário presidencial, de cerca de 12 mil dólares mensais (27.450 reais), à construção de moradias sociais.

Entre outros trabalhos, Emir Kusturica, de 58 anos, dirigiu "Maradona by Kusturica" (2008), "Zavet" (2007), "Underground - Mentiras de Guerra" (1995) e "Vida Cigana" (1989).

Por esse último filme, recebeu o prêmio ao melhor diretor do Festival de Cannes, quatro anos depois que outro de seus filmes, "Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios" (1985), levou a Palma de Ouro.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

AS RUAS SÃO TSUNAMI NOS PARTIDOS E NA MÍDIA.

A jornalista e cientista política Beatriz Bissio. Foto: Breno Lima
A jornalista e cientista política Beatriz Bissio. Foto: Breno Lima
Camila Nobrega* 
Em 2005, a jornalista e cientista política Beatriz Bissio bateu à porta do Ministério das Comunicações brasileiro no desespero da última cartada para tentar manter viva a publicação dos Cadernos de Terceiro Mundo. Para quem não conheceu, o suplemento foi uma das experiências mais ricas de mídia com enfoque Sul-Sul, que circulou principalmente na América do Sul e na África durante 30 anos. Pobreza, desigualdades (sim, elas são plurais e os Cadernos já sabiam disso desde a década de 1970), guerras civis, alternativas econômicas e um sem número de questões culturais deliciosas e peculiares enchiam as páginas da revista, publicada em vários idiomas e com colaboradores jornalistas do mundo inteiro.
Mas aqueles tempos eram outros. O povo não estava nas ruas gritando pela democratização dos meios de comunicação. Sem resposta do ministério, que disse apoiar com verbas publicitárias apenas veículos de grande circulação e, afundada em dívidas contraídas na tentativa de mantê-lo funcionando, a publicação parou de circular.
Falar desse fato altera o rumo da prosa com Beatriz, mulher de olhos marcantes, mãos que não freiam a ansiedade da escrita nem durante uma entrevista e questionamentos sempre afiados, como os de uma repórter que tem dificuldade de estar do outro lado da conversa. Uruguaia que entrou na faculdade de Engenharia para, em meio à instalação do regime ditatorial do país, deixar o diploma de lado e se tornar jornalista na prática. Ameaçada pelo regime, exilou-se primeiramente no México, para depois descer a América chegando no Brasil. Ao lado do ex-marido, o jornalista Neiva Moreira, falecido no ano passado, cobriu a guerra de independência de Moçambique e acompanhou o acirramento do conflito no Oriente Médio. Grávida da única filha, embarcou para a província angolana de Cabinda, movida pela disputa do petróleo. Tornou-se brasileira, participou da fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Viu o nascimento de uma força da mídia alternativa e também sua dissolução, antes da eclosão das mídias sociais, entre eles os Cadernos. Afastou-se do jornalismo prático, para tornar-se pesquisadora do tema, como coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre África, Ásia e as Relações Sul-Sul, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Até pouco mais de um mês, estava focada na cobertura da mídia brasileira sobre o Oriente Médio (como o conflito Israel-Palestina), apontando a visão parcial, pró-Israel e com espaço absolutamente limitado nos jornais mais tradicionais do país. Mas agora, como boa parte dos cariocas, está de olho no que está acontecendo bem aqui, organizando debates e cineclubes sobre os protestos que estão mudando a rotina do Rio de Janeiro. Atônita com as últimas cenas, une os dois lados mais fortes de si própria e afirma: “Vejo esses acontecimentos como uma tsunami nos partidos políticos e na mídia tradicional”. Na entrevista abaixo, ela – que  é  uma das diretoras da revista virtual Diálogos do Sul e membro do conselho consultivo da área de Comunicação do Ibase -  afirma que os dois sistemas brasileiros – político e de comunicação – estão falidos.
cadernos 01Canal Ibase: Você é uma das poucas pessoas, talvez a única, que reúne duas experiências de vida riquíssimas para compreender o momento que o Brasil vive: é jornalista, entre as pioneiras da chamada mídia alternativa, e cientista política.  Trata-se de um momento que põe em xeque os dois campos do conhecimento, você concorda?
Beatriz Bissio: Sim. O processo é novo e qualquer análise é provisória. Mas sem dúvida a sociedade civil está se tornando um ator cada vez mais importante e com mais instrumentos para cobrar seu espaço. Nenhum partido político pode escapar dessa compreensão. Vejo esse movimento como uma espécie de tsunami  sobre os partidos políticos. Eu mesma fui uma das fundadoras do Partido Democrático Trabalhista (PDT), que teve como marco um encontro em Lisboa, onde estavam presentes o Neiva (Moreira), Brizola e o Betinho (um dos fundadores do Ibase). Mas parei de militar. Considero que o partido se afastou da sua raiz, das suas bandeiras históricas. Houve o sequestro de uma sigla que representava reivindicações importantes sobre a lógica do trabalhismo. Os partidos terão que lidar com essa tsunami e se reconstituir. O mesmo acontece com a mídia brasileira, que pela primeira vez tem o cenário de monopólio questionado de forma tão veemente nas ruas.
Canal Ibase: Fala se em crise de representatividade política…
Beatriz Bissio: E é. Nenhum partido poderá fugir. Nem o PT continuará a ser o mesmo. Talvez especialmente o PT. É importante esclarecer que o movimento que está nas ruas não nega o que os governos Lula e Dilma conquistaram. É, porém, um questionamento sobre o que se poderia e pode conquistar a partir de agora. O âmago do sistema não foi tocado, e a necessidade de alianças está sendo repudiada. Por isso, a reforma política ganha adeptos. No Rio de Janeiro, as pessoas estão reivindicando uma cidade humanizada, com transporte público que funcione para melhorar a vida dos moradores, e não em função dos interesses dos grupos que o controlam. Há uma crise de representatividade porque a sociedade quer espaço para colocar essas pautas. E, como eu disse, a chegada de um partido de esquerda no poder não significou uma mudança grande na estrutura econômica. Há que se reformular a representação política no Brasil.
Canal Ibase: Já podemos considerar as ruas um marco nesse debate?
Beatriz: Sim. Um divisor de águas foi o fato de uma convocatória pontual ter criado uma fibra para despertar essa massividade. Nada se explicaria se não existisse na sociedade um grande desconforto anterior. Nunca se explica o contemporâneo sem entender o contexto que já estava dado. Havia uma mistura de decepção, raiva, estresse, exaustão da vida urbana. A convocatória contra o aumento no preço da passagem tocou este mal-estar. No Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCS) da UFRJ estamos em estado de assembleia permanente. É um momento completamente novo e meus alunos, sendo a maioria deles pessoas que já possuíam um engajamento acima da média dos jovens, estão percebendo que a situação exige deles uma compreensão que todos estamos buscando. As ruas despertaram a juventude e impulsionaram debates que já ocorriam no âmbito dos movimentos sociais. Nas ruas, você passa do que leu no livro para o que sentiu na pele. E a heterogeneidade é bastante didática. As pessoas se percebem parte de conjuntos, embora tenham diferentes bandeiras.
cadernos02Canal Ibase: Sem usar a alcunha de “mídia alternativa” – expressão mais recente para designar fontes de informação fora da mídia tradicional – você foi uma das pioneiras desse movimento na América Latina. Agora, o assunto está no centro do debate. A mídia brasileira poderá ser a mesma após esse renascimento das ruas como um fato social?
Beatriz: Ainda é cedo para afirmar, mas acho que não. Algo já mudou. As ruas estão exigindo uma mídia diferente da que temos, completamente alienante. A grande mídia é a principal interessada até na continuidade desse modelo, porque assim ela não é questionada e continua lucrando, mantendo seus trabalhadores inclusive com salários baixos. As ruas provaram que querem novas fontes de informação. As pessoas sentiram na pele, presenciaram os acontecimentos e não os viram refletidos nas notícias. A experiência acabou com a alienação.
Canal Ibase: Mas, para mudar esse sistema, é preciso ir além. Você teve que fechar os Cadernos de Terceiro Mundo e a editora responsável por ele, em 2005, por falta de apoio. A principal forma de mudar seria a discussão da publicidade do setor público?
Beatriz: Sim. Pouco antes de fechar a editora fui recebida no Ministério das Comunicações. A primeira pergunta que a pessoa me fez foi: que tiragem vocês têm? Ele me disse: nossa verba é só para quem está com mais de 500 mil exemplares por mês. Na época da crise, tirávamos 20 mil exemplares, sendo 70% de assinantes fieis. Mas a questão sequer era essa. O governo não tem que pensar em publicidade apenas para se divulgar mais. A publicidade de órgãos públicos serve também para fomentar veículos de comunicação. Assim deveria ser. Os Cadernos de Terceiro Mundo chegaram a ter uma tiragem de 120 mil exemplares por mês. Mas mesmo que não tivesse. A escolha não pode ser feita dessa forma, se não os pequenos veículos nunca crescerão, nunca receberão apoio. É isso que as pessoas que estão nas ruas ainda precisar entender, se apropriar dessa informação. Precisamos discutir a democratização dos nossos meios de comunicação. É bom para todo mundo.
Canal Ibase: Há um discurso de que faltam mídias “alternativas”. Sabemos que essa percepção é errada…
Beatriz: Quem afirma que faltam iniciativas de comunicação está mal informado. Elas existem, não temos que inventar a roda, nem cair no erro de apoiar uma apenas. Existem as mídias alternativas mais diversas e algumas muito boas, excelentes. O que precisa mudar é a parcela milionária de publicidade que o governo destina aos grandes veículos. Isso melhorou no último governo, mas não foi suficiente. A grande mídia argumenta que a mediocridade é reflexo do que o público consome. Não concordo em absoluto. As pessoas também dão resposta a conteúdos de qualidade.
Canal Ibase: Há então uma crise de representatividade no que diz respeito à mídia?
Beatriz: Sim, as pessoas não se veem mais representadas ali. Há uma crise das ideologias que estão postas, do modelo de desenvolvimentismo adotado inclusive pelo governo Dilma. A perplexidade que acontece no território da política se reflete na mídia e nas novas fontes de informação que surgem.
Canal Ibase: O grupo que você coordena no IFCS analisa a cobertura da grande mídia sobre o Oriente Médio. Ela também reflete essas falhas?
Beatriz Bissio: A cobertura sobre o Oriente Médio tem pouco espaço, acontece de forma descontínua e muitas vezes sem contextualização suficiente. No caso da Sïria, estamos analisando o discurso da grande mídia e há generalizações perigosas, como o uso de “rebeldes”. No caso de Israel e Palestina, por exemplo, a cobertura é completamente pró-Israel. Isso altera a visão de mundo das pessoas, é muito grave e muito ruim que tenhamos tão poucas fontes de informação. Por outro lado, acho que isso está mudando. Os brasileiros estão nas ruas pedindo, também, por novas fontes de informação. É um direito básico do cidadão e essencial em uma democracia.
Além de professora e pesquisadora da UFRJ, Beatriz é hoje uma das diretoras da revista virtual Diálogos do Sul e membro do conselho consultivo da área de Comunicação do Ibase.